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domingo, 17 de abril de 2011

Cinema Soviético, por Iany Thaysa de Morais Oliveira,


Um dos mais importantes na história desse meio, o cinema soviético teve como pioneiros Serguei Eisenstein e Dziga Vertov, que fizeram da revolução uma das suas principais fontes de inspiração, revolucionando assim o cinema não só no que diz respeito ao conteúdo, mas também em seu aspecto formal. Sugerindo e definindo padrões que influenciaram outros realizadores pelo mundo.

Após a revolução de 1917 o governo bolchevique passou a incentivar e apoiar produções cinematográficas por considerá-las obras estratégicas para propagandas ideológicas. Dessa forma obras que exaltassem o heroísmo do povo russo eram amplamente estimuladas e divulgadas pelo Estado.

São dessa época as obras-primas de Eisenstein: "Encouraçado Potemkin", "Outubro", e "A Greve". Mais tarde, Eisenstein ainda realizaria "Alexandre Nevski" e faria parte da trilogia "Ivan, o Terrível" e de "Que Viva México!", ambos, inacabados.

A revolução social iniciou também uma grande transformação na cultura russa de modo geral, que fez com que as artes tomassem o papel de vanguarda. Tomando como base o cinema, tal transformação despertou um olhar crítico no expectador, o ofereceu uma visão de luta de classes, o fez sentir parte daquele contexto.

É claro que não só obras de caráter bolchevique foram produzidas, com a derrocada do regime soviético cineastas tidos reacionários como Nikita Mikhalkov ganharam espaço, com produções críticas ao regime, como "Olhos Negros", "Anna dos 6 aos 18" e "O Sol Enganador".

É fascinante a pluralidade do cinema, tanto serve para entretenimento quando para propagandear idéias, fazer pensar, tornar o expectador um ser crítico e consciente. Este era um dos principais fundamentos do Cinema Soviético e permanece até hoje, mesmo noventa e quatro anos após a revolução, e não se limitando apenas a URSS.
Embora algumas produções sofressem ‘censura’ da parte do governo bolchevique era perceptível a necessidade que os cineastas da época tinham de extravasar, de colocar pra fora suas idéias e expor seu ponto de vista social em seus filmes.

Uma das principais contribuições do Cinema Soviético para a cinematografia em geral foi a de uma nova forma de fazer cinema, deixando de lado o aspecto puramente ficcional e tomando um caráter ideológico. Um sentimento de liberdade jamais visto no cinema outrora.

"O Encouraçado Potemkin", por Túlio Lima Rodrigues


Rússia, 1905. A revolta no Encouraçado Potemkin serviu de tema para um dos mais lendários filmes da história do cinema. O Encouraçado Potemkin (título em português), de 1925, foi sem dúvidas, um grande marco na técnica e na arte cinematográfica. Dirigido por Sergei Eisenstein, o filme retrata a tensão estabelecida na Rússia que já passava por crises econômicas nos primeiros anos do século XX.

Em sua obra, Eisenstein foca em uma revolta particular na Rússia: marinheiros de um navio se revoltam pelos excessos de maus tratos que sofrem por seus comandantes. Tal fato é o início do filme, em que se torna possível ver o mau tratamento com a tripulação, além da má condição de alimentação, reforçada pela cena em que a carne dada para os marinheiros consumirem está podre, repleta de vermes.
Influenciado por tal fato, uma enorme revolta se inicia dentro do próprio navio. Numa sequência de planos abertos e close-ups, a confusão em alto mar se torna uma composição brilhante. Todos os atores e figurantes em cena são perfeitamente coreografados, reproduzindo uma cena extremamente dinâmica, inovando com o cinema da época.

Mas as cenas com ritmo frenético de multidões não ficam só na primeira parte. Com o passar do filme, podemos ver as tomadas externas da população se encaminhado ao cais para a chegada do encouraçado e o aparecimento inesperado dos soldados dando início a cena da escadaria de Odessa, a mais famosa do filme talvez. É incrível neste momento poder identificar, a partir de uma maquiagem mais leve, as expressões de dor, tristeza e indignação da população. Ao fechar o plano nessas feições, Eisenstein conseguiu retratar os sentimentos dos cidadãos de Odessa, fazendo oposição à inexistência deles nos soldados, que nem os rostos conseguimos identificar durante a película. Todos esses detalhes contribuíram para a base ideológica do filme, associada à divulgação de uma nova política que era apresentada ao povo russo.

A parte final do filme em que a tripulação está preparada para atacar um possível inimigo e depois percebe que se trata de navios aliados que os apóiam assim como a população de Odessa agora dizimada, mostra mais dinamicidade associada inclusive aos letreiros. Tal característica pode também ser analisada em todo decorrer do filme. Assim, a tripulação do Potemkin se despede com um final de esperanças em futuras melhorias.

Por isso, ao fazer um filme que retratasse a história, inegavelmente, Eisenstein conseguiu fazer parte dela, ao trazer para a tela uma preocupação com a montagem e uma sensibilidade primordial nas cenas coletivas extremamente planejadas e bem executadas. Acima de tudo, produziu um cinema que até hoje é referência e objeto de estudo pelo cinema mundial.

"O Encouraçado Potemkin", por Heitor Assunção Dutra


Passados noventa e poucos anos da sua estréia em 1925, O Encouraçado Potemkin me deixou de boca aberta com seus cortes, e estou certo que continuará deixando os estudantes de cinema, cinéfilos e entusiastas ainda por muito tempo boquiabertos.Trata-se da comprovação do que tanto se repete: A montagem do filme é com os Soviéticos.No caso um dos maiores diretores soviéticos: Sergei Einseinstein, com certeza o mais conhecido cineasta russo junto com Tarkovsky. Kubrick concorda, que o que torna cinema, cinema é a montagem, não é fotografia, nem música, nem literatura, é tudo isso mais o elemento único da sétima arte: a montagem; é cinema.O ritmo nesse filme é de uma força e velocidade alucinantes, é um filme que realmente é da sua época, da efervecência dos primeiros anos da União Soviética, passados nem dez anos desde a revolução de 1917. Esse filme reafirma a idéia de união do povo, que num episódio anterior a revolução, numa Rússia quase feudal, enfrentou a opressão do Czar.

O povo é que manda, isso é o que deve ser. Mas nunca foi, sempre algum espertinho se apropriou do poder de maneira total. A revolução não trouxe a diferença, colocando no lugar do Czar Nicolau II, ditadores no mesmo patamar ou piores que o antigo rei que como se provará no final da década de oitenta não conseguem segurar o tranco de um país tão grande. No filme dá até vontade de se unir ao povo indignado, o espectador está ali dentro, também indignado, não há filme 3D que faça mergulhar mais que uma história bem contada.

Ao entrar de barco na baía de Odessa com corpo do marinheiro morto,os marinheiros presenciam os navios parados no porto que parecem indiferentes, a cidade parece não pertencer aos seus habitantes na prática.Ao chegar ao cais, a notícia de um irmão russo, trabalhador, massacrado, morto se espalha por Odessa trazendo todo o povo, os seus irmãos, que enfrentam situações similares, sentem a dor do marinheiro de nome impronunciável.Choram sua morte e vibram com a revolução, um ensaio revolucionário.Nas escadarias da cidade a tirania dos partidarios do Czarismo atinge seu ápice, uma avalanche de cadáveres se espalha pela escada, pisoteamentos, gritos, numa cena frenética e alucinante de sofrimento e agonia.A mãe que desesperada pede ao Kossacos piedade é tocante, e imagino que na época que o filme foi exibido contou com a emoção da platéia, que chorou cada momento de dor, das mães e filhos mortos pela imbecilidade de um regime estúpido. Com planos de em média três segundos de duração cada, a sequência das escadarias fica guardada na história do cinema.

Não há muito o que dizer, é pra se ver. É difícil pra mim imaginar um filme com tanta força, com seus closes, com os regentes da orquestra do povo, a forte imagem da velha igreja representada pelo padre, o filme é uma ópera muda.Aplausos.

"O Encouraçado Potemkin", por Olga Ferraz


INTRODUÇÃO:
Momento histórico & Breve biografia de Sergei Eisenstein


Desde a Revolução de 1917 o governo bolchevique incentivou a realização de filmes que espelhavam: a força, o heroísmo e o moral do povo russo.

No dia 23 de Janeiro de 1898 nascia um futuro grande diretor, que marcaria para sempre o cinema soviético. Sergei Eisenstein estudou arquitetura e engenharia e juntou-se ao exército vermelho, mas teve sua iniciação nas artes por meio do Teatro Proletkult (movimento literário anti-burguês que surge em 1917 feito para o povo e que não mantinha relações com o governo. Duramente criticado pelo Partido Comunista em 1920, teve seu fim em 1923).

Seu primeiro filme foi junto a Dziga Vertov, que o contratou como instrutor. Vertov também foi importante no cinema soviético dos anos 20 e 30, lançando um movimento purista chamado Kino-Glaz, ou, Cinema Olho.

Aos 26 anos Eisenstein realizou A Greve e aos 27 seu famoso O Encouraçado Potemkin. O sucesso deste filme foi tão grande que o estúdio americano MGM chamou Sergei para gravar nos Estados Unidos. Com sucessivas experiências negativas e atritos, as coisas não deram certo e ele então decide regressar à Rússia. Ele imaginava que sua volta seria um "recomeço" da carreira, mas na verdade foi acusado de ter estado no capitalismo, recebendo muitas críticas e pouca receptividade.

Com todos os indícios de que sua carreira havia acabado, ele recebe então o convite para filmar Alexandre Nevski (uma produção anti-germânica). Logo depois, em 1944, foi escalado para ser o diretor de Ivan - O Terrível, que originalmente teria 3 partes, mas ao longo da produção muitos atritos ocorreram entre ele e Stálin, pois Eisenstein defendia a teoria de que a arte independe de política, governos ou partidos. Foram então gravadas duas partes do filme, e antes que a terceira fosse realizada Sergei veio a falecer, aos 50 anos de ataque cardíaco (Fev. de 1948) deixando inacabada sua trilogia.



O ENCOURAÇADO POTEMKIN
Resenha Crítica do filme


Numa Rússia Czarista onde as cidades se desenvolviam e o interior podia-se chamar ainda "feudal", era mais do que esperado que a população se revoltasse e exigisse mudanças. O filme de Eisenstein pontua um fato: A revolta dos marinheiros do maior navio de guerra russo, contra suas péssimas condições de alimentação. Esse é o mote usado pelo diretor para simbolizar como na verdade estava toda a estrutura do país em 1905.

O filme está divido em cinco partes, a primeira chama-se: Homens e Vermes e logo de início são mostradas imagens de ondas fortes quebrando em arrecifes, ou barreiras de corais, esta é uma cena muito significativa pois expressa o sentimento de revolta daquela nação. Ao longo da primeira parte veremos um médico atestando que a carne a ser feita de sopa está em perfeitas condições e que tudo não passa de reclamações vazias dos marinheiros. Eles então se negam a comer a sopa, e roubam os enlatados, reservados aos oficiais. Esse é o estopim da confusão. Os ângulos de câmera usados por Sergei para nos mostrar as sensações dos personagens são inovadores e ousados, nada mais de planos chapados como se fosse uma vista de uma peça de teatral, temos closes-ups, câmeras filmando de baixo para cima e uma montagem incrivelmente rápida e dinâmica. A exemplo disso entre os 13 e 14 minutos do filme podemos ver bem de perto o rosto de um marinheiro revoltado contra uma frase gravada num prato, e ao vê-lo quebrando-o, o diretor nos mostra a cena rapidamente de vários ângulos diferentes.

A segunda parte do filme é: O Drama no Porto do Tendra, onde toda a tripulação é reunida no convés do navio para ouvir Golicov, o Comandante. Ele então pergunta aos seus subordinados quem ali não está de acordo com a comida servida, e manda que a guarda mate todos os revoltosos. Neste momento há um entendimento entre classes e os guardas decidem ficar do lado dos marinheiros e combater os oficiais. Ao fim desta parte o líder dos marinheiros, Vakulintchuk é morto e levado em um pequeno bote ao porto de Odessa. A peculiaridade desse trecho se dá com o pastor, que se "esconde" atrás da cruz, e do nome de Deus por assim dizer, quando percebe que não seria poupado do combate, e finge-se de morto, simbolizando a falta de verdade e ética da religião.

A terceira parte do filme chama-se O Morto Conclama, e nela vemos cenas extraordinárias. Uma enorme procissão segue para velar o corpo do herói Vakulintchuk, e Eisenstein mais uma vez nos embevece com suas estratégias de câmera, como as cenas das escadarias e o mar de gente que por elas passava (exemplo: aos 42:55'), os closes nas pessoas que choravam e se comoviam diante do marinheiro morto (exemplo: aos 40:13'), os discursos feitos por homens e mulheres e a clássica frase: "Um por todos e todos por um!". O fim desta parte se dá mediante uma provocação feita por um burguês que sarcasticamente, percebendo o sofrimento geral, diz "Morte aos Judeus!". Ele é cercado e atacado pelo povo, desaparecendo no meio da multidão. A população decide fazer de fato uma revolução pela melhoria das condições de vida e esse é o gancho para a quarta parte do filme.

No início da quarta parte, A Escadaria de Odessa, vemos a ajuda da população para com os marinheiros: eles doam comida, sorriem para os recém chegados, a música exalta um clima de relativa felicidade, pessoas acenam, crianças participam da recepção e etc... Quando de repente os Cossacos chegam e iniciam um massacre, de homens, mulheres, crianças e idosos. Esta cena marcou a história do cinema mundial, pois além de grandiosa mostra a opressão e requintes da crueldade humana, como por exemplo, atirar numa criança, que depois é pisoteada e matar uma mãe que solta seu carrinho de bebê (este desce desabalado pela escadaria). Como resposta a barbárie sofrida o Couraçado destrói o Teatro de Odessa, e mais uma vez Sergei prova sua sagacidade nos mostrando o sentimento de choque do povo que minutos antes estava tranqüilo e feliz, através de uma metáfora de 3 estátuas de leões, cortando de um para o outro: um que dormia tranqüilo, outro ainda deitado mas já assustado e o terceiro já de pé (56:10').

A quinta e última parte chama-se: Encontro com a Esquadra e nesta cria-se um clímax reforçado pela correria dos marujos, closes nos pistões do navio que estão a todo vapor, músicas nervosas e aceleradas... Os marinheiros do Potemkin então mandam um sinal à Esquadra Czarista para que eles se juntem e tornem-se parte da revolução. A frase agora dita é "Todos contra um e um contra todos!", os canhões são erguidos e quando a batalha está na iminência de começar, as bandeiras de liberdade são içadas e o Couraçado pôde passar pela Esquadra pacificamente, representando a adesão dos outros marujos à causa da revolução.

O que se apreende e se aprende deste filme, é que além de ser um registro histórico de um momento da vida russa, Eisenstein inova com sua montagem veloz, seus planos inesperados e suas muitas mensagens subliminares que defendem a liberdade e a fraternidade, seja na política, na vida, ou mesmo nas artes. Ele definitivamente estava à frente de seu tempo, não se contentava com apenas um plano, simples e chapado, ele ia além, ousando e simbolizando com o que produzia.




REFERÊNCIAS:
Sites e Livros de consulta

http://www.terra.com.br/cinema/favoritos/potemkin.htm - Acessado em: 09 de Abril de 2011

http://www.adorocinema.com/filmes/encouracado-potemkin/ - Acessado em: 09 de Abril de 2011

http://pt.wikipedia/wiki/Serguei_Eisenstein

BERNARDET, Jean-Claude (1980). O que é Cinema. São Paulo: Brasiliense (Coleção Primeiros Passos ; 9)

MASCARELLO, Fernando (2006). História do Cinema Mundial. Campinas: Papirus

JÚNIOR FERRARO, Denerval (2008). 10 + do cinema. São Paulo: Globo